segunda-feira, 24 de abril de 2017

Fofoca versus meditação


Fofoca versus meditação


V

Todo mundo conhece pessoas que cometem erros e pedem desculpas. Porém, mal passam alguns dias e voltam a cometer os mesmos erros.
Por que isso acontece?
É que, apesar de entenderem a diferença entre o certo e o errado, essas pessoas não transformaram estes conhecimentos em vivência.
Conhecimento é algo que alguém te contou, que você leu ou assistiu. E não importa se veio de um reconhecido mestre espiritual ou de um famoso empresário de sucesso. Enquanto você não praticar o que aprendeu, o conhecimento é apenas a verdade do outro.
Pedir desculpas não promove nenhuma mudança de comportamento.
Voltando ao exemplo acima, vamos imaginar que o erro cometido foi fazer fofoca. Saber que fofoca é errado não impede a pessoa de continuar sendo indiscreta. E pedir desculpas não corrige o problema, porque a fofoca é um hábito e a desculpa acaba também virando outro hábito. Pedir desculpas não promove nenhuma mudança de comportamento.
Apenas quando houver um compromisso em experimentar, mesmo que por um curto período de tempo, usar a fala correta (Samyag-vac*, no Budismo), evitando especular sobre a vida alheia, é que se pode vislumbrar o mal que a fofoca pode causar aos outros. Dessa forma, a pessoa sai do padrão das intrigas e percebe claramente o contexto.
Então, ela pode decidir se volta a fofocar ou passa a tomar mais cuidado com o que fala. O que aconteceu é que ela passou a ter sabedoria sobre o assunto, deixando de ser levada pelo padrão inconsciente de fazer o que todo mundo faz.
E o que isso tudo tem a ver com meditação?
Quando usamos as palavras para fazer intrigas, difamação ou contar mentiras, criamos um universo mental para nos proteger das pessoas que estão envolvidas nas calúnias. Para uma, existe uma versão diferente e para outra, uma justificativa. Uma terceira você reza para não encontrar enquanto continua elaborando seus pontos de vista para o grupo que aprecia mexericos.
Toda essa energia gasta vai excitando o nosso sistema nervoso e, mesmo sem uma relação aparente, quando tentamos meditar, não existe paz ou descanso na meditação.
Quem quer treinar a mente para que seja útil a si mesmo e para a sociedade, antes precisa domá-la. E a forma correta de se fazer isso é com sabedoria.
Sabedoria é a experiência vivida por você!
Boas práticas!
*Samyag-vac ou Fala Correta, é o terceiro item no Nobre Caminho Óctuplo do Budismo e trata da maneira como usamos as palavras. A forma como dizemos as coisas e o momento escolhido são tão importantes quanto dizer a verdade com benevolência. Se uma verdade em hora inapropriada pode causar muito sofrimento, imagine o poder que mentiras, negatividades, sarcasmo e grosserias podem ter!

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